ixtlan noisetrack – Songs for guys on their thirties

Fazer rock alternativo no Brasil definitivamente nunca foi um trabalho viável pra quem sonha em viver de sua arte e torná-la possivelmente uma profissão rentável desde sempre mas isto não tem sido um problema para quem vem acompanhando o surgimento em grande escala de novas bandas e seus respectivos trabalhos nos últimos anos. Claro que este fator implica no processo de gravações de álbuns, na movimentação dos artistas em relação a shows e tudo mais, mas este favor negativo não vem a tornar-se um impecílio total para quem realmente acredita no que faz e o faz por puro e admirável amor ao ideal. Extremamente anexado a este conceito praticado surge a ixtlan noisetrack, duo formado em 2008 por Nando Guglielmi e Jaime Castro na cidade de Gravataí, RS nos trazendo a tona seu debut intitulado “Songs For Guys On Their Thirties EP”, uma obra contendo cinco pérolas certeiras lotadas de boas referências e intimismo ao longo das faixas, seja pelo punch de guitarras pungentes evocando um culto ao alt-rock norte americano dos anos 90 da ótima faixa de abertura “Murder” e em “Jesus Stole My Car”, nas introspectivas e louváveis “Your Time To Sleep” e “The Riding Song” com seus vocais em tons confessionais ou na parceria perfeita em conjunto com o vocalista Daniel Rosemberg da banda Moldavia, resultando na maravilhosa “The Waiting Song”, faixa que encerra o EP de forma excepcional nos dando a certeza de que não precisamos buscar apenas no mainstream ou nos círculos viciosos sugeridos pela mídia por obras geniais para suprir nossas necessidades em ouvir trabalhos com alta qualidade e que o rock underground brasileiro anda em alta, talvez como jamais esteve apesar de cativar um pequeno grupo de admiradores e não atingir grandes massas de ouvintes. Enfim, “Songs For Guys On Their Thirties EP” é para lavar a alma de qualquer pessoa que desacredite no que é produzido em território nacional e altamente recomendado a partir de agora. Excelente!!!

Por Al Schenkel, no Sussurros e Escarros.

Para ouvir o disco completo enquanto espera o próximo: https://ixtlannoisetrack.bandcamp.com/album/songs-for-guys-on-their-thirties

Vales de Netuno – Vales de Netuno

Vales de Netuno é um projeto instrumental do guitarrista e instrumentista Léo Gudan com fortes influência de Psych e Heavy Rock. O som do Vales transita por paisagens espaciais, solos reverberando e o lamacento e velho blues rock. Toda a produção do primeiro álbum adota a estética Lo-fi e dialoga com características do Stoner atual. Feito essencialmente no homestudio de Gudan, sob o confinamento nas montanhas de Minas Gerais, Vales de Netuno toma uma forma artesanal e, ao mesmo, tempo encontra a possibilidade de diálogo com propostas similares ao redor do mundo e longe do vale. A produção, gravação e execução do disco inteiro ficaram por conta do próprio Gudan, que encontra conforto no ensimesmamento claustrofóbico e quase eremita de São Thomé das Letras.

Lonely Me – Twisted Sad Machines

“Twisted Sad Machines, da Lonely Me, tem cheiro de saudade e um certo gosto nostálgico. Explico: em tempos cada vez mais acelerados, o ontem passa a ser como há três séculos. Ou seja, até “ontem” o bip era um bem de última tecnologia. Hoje eu nem sei se você lembra, ou sabe o que foi o bip. Não é preciso dizer (porém, é extremamente necessário que você não perca essa perspectiva), mas, a velocidade dos avanços na comunicação e do potencial de divulgação de arte independente na internet é um dos grandes personagens desta história.

O compêndio lo-fi, todo gravado na lendária “Toca do Pombo”, reúne todos os
elementos estéticos destes tempos: boas ideias, excelentes melodias, arranjos bem bolados, produção de baixo custo e muito amor à camisa. Ao ouvir o disco faixa a faixa (como se fazia antigamente), fui submetido à certa crise existencial, compasso a compasso, catapultado aos meus 17 anos e tudo que um dia fui e não sou mais. Para situá-lo melhor no tempo e no espaço, falo da antiguíssima era compreendida entre o fim dos anos de 1990 do século passado e o início dos anos 2000”.

Leia mais em: http://lovelynoiserecords.com/banda/lonely-me/

V.Diasz – Mixtape Low Gain/High Patience

Sabe aquele sentimento bom de colocar uma fitinha feita por você, por um camarada, um casinho ou seja o que for? Aquela fitinha cheia de surpresas boas e inimagináveis, feita com coração, um pouco de cada coisa, uma identidade que só o caos oferece ao ouvinte? É isso. Low Gain/High Patience é o vigésimo sexto disco do artista entre todos seus projetos e marca os 10 de uma longa e criativa carreira de V.Diasz

A mixtape é um formato típico do advento do cassete e traz em seu conteúdo diversos tipo de informação de áudio, desde pequenas vinhetas até longas e obscuras faixas de um lado inteiro. Recuperando esta estética e metendo o dedo no rec, V.Diasz conta com a parceria de diversos artistas do Brasil.

Ouça: https://soundcloud.com/7minimal/mixtapelowgain/s-Y9PdS

Tracklist
1 – Intro (Buraco negro lofi)
2 – Slowgain – 1:00
3 – A Baile Called Quest (mashup) 1:49
4 – Arma Branda Feat. FELAPPI (RJ) 2:53
5 – Wanna Be Old Prod. Dante Augusto (RN) 5:48
6 – Vcious Prod. Hatori (MG) – Ambient Mix 7:56
7 – GooseBumps Feat. Luan Rodrigues Art (RN) 13:29
8 – New Old Style 14:21
9 – Veni Vidi Vici – Black Lips cover 15:50
10 – Vcious Prod. Hatori – Radio EDIT

Mix: Vinícius Diasz
Master: Lavanderia Estúdio (Campinas)

Lançamento: Killing Surfers – Nothing is Heading

Com um pé no Pavement e outro no MBV e seus asseclas, a Killing Surfers lança “Nothing is Heading”, primeiro lançamento oficial da Lovely Noise Records em 2018 e em parceria com a Crooked Tree Records. O disco cheio, o mais importante até agora na carreira da banda alagoana, é a epítome do flerte entre tanques repletos de reverb, nuances do alternativo dos anos 90, guitarras crespas e uma letargia ensolarada.

Enquanto faixas como “Shadows Go Away” encontram linhas e texturas que poderiam ter facilmente saído do imaginário prolífero de Anton Newcombe, “Midnight Ghosts” passeia pelas levadas de bateria de algum dos bons momentos iniciais de qualquer canção do My Bloody Valentine.

“Nothing is Heading”, a faixa que dá título ao disco, deita o ouvinte em uma etérea cama de texturas e reversos elípticos que separam o olho do furacão inicial da calmaria Slowdiviana do lado B da obra, que fecha enebriadamente sua composição com as texturas suaves de “The Bright Colors”.

O disco está disponível de graça para audição no Spotify da Killing Surfers.

Escöria lança Split em Vinil

Saiu pela Lovely Noise Records o primeiro Split em vinil da banda Escöria. Após voltar de uma tour pela América Latina passando por Argentina, Chile e Uruguai, o coletivo, que está em atividade desde o fim da década de 90, lançou o disco Crisis junto com a banda Acrataka, das Ilhas Canárias.

O Split traz duas músicas da Escöria e tem a arte assinada pelo artista Chileno Camilo Jerez. O vinil de 7″ está disponível para venda aqui na nossa loja.